Ao chegar o fim de tarde de uma sexta, ficava apreensivo. Apreensão que só acabava no domingo a noite, com o alivio de poder dormir, acabara. Sobrevivi.
Deixe-me detalhar um pouco, para que não seja necessário muita imaginação para saber o que acontecia.
7:00 da manhã, ouvia chamarem meu nome, por muitas vezes pensava em enrolar na cama, mas sabia que não poderia fazê-lo. Deveria ao menos tentar atrasar qualquer tipo de interação.
Após tomar café é hora dos serviços domésticos, até aí tudo bem.
Mas sempre tem algo a mais pra se fazer, um pequeno reparo aqui e ali. Quem termina a tarefa primeiro terá de ajudá-lo.
Nesse momento alguém esta ficando com raiva de um parafuso que não quer sair, uma peça que não encaixa ou qualquer coisa que não está saindo certo com o pequeno reparo (uma coisa que acontece com frequência, com pessoas que não tem instrução nenhuma pra fazer o serviço ou não tem condições de pagar alguém que sabe fazer)
A essa hora ouvimos o som de ferramentas serem lançadas, palavrões. Alguém deveria terminar seus afazeres e ir ajudar. Mas quem tem essa coragem?
Irmãos, ambos covardemente desejam que o outro tome o lugar (e quem pode culpá-los?), por isso começa uma concorrência pra ver quem trabalha mais lentamente.
A raiva o consome, e não tem ninguém pra ajudar, a essa hora os serviços domésticos deveriam estar findados, ele entra e percebe que estamos procrastinando.
Socos, tapas, chutes, insultos . Bom dessa vez, entrara em casa sem nenhuma ferramenta a mão, apenas vermelhidão, isso já é uma vitória mas ainda nem chegou meio dia.
Saímos então, andar pelo bairro, logo na primeira esquina sinto de repente um soco que gira meu rosto para a direita. Esqueci de olhar se vinha carro (por que eu sempre esqueço, se conheço as consequências, não saberia responder).
Em muitas famílias crianças brigam pra ir na frente, pelo que soube. Não na minha.
Esquecer de olhar, demorar pra dizer se vem ou não carro, são apenas exemplos do que poderia render tapas ou socos.
segunda-feira, 23 de março de 2015
18:00
Chega 18 horas e me escondo, consigo ouvir seus passos, uma tosse rouca, seguido de um pigarro. Meu coração acelera, minhas mãos suam, começo a rezar pra um deus, que nunca me atendeu antes. O terror do que me espera me petrifica. Seria possível escapar????
Uma voz grita meu nome, tenho que ir a seu encontro.A resposta é automática, tal qual um soldado:-senhor!sim senhor!
Um comando é dado, coisa pequena (tarefa do dia a dia), deve ser executado com precisão e velocidade de uma equipe de formula 1. Mais uma vez eu falho.
Nenhuma falha fica sem punição, eu já esperava por isso, afinal passara meia hora desde sua chegada.
As vezes, penso se realmente passei por isso e sobrevivi, ou se foram apenas inúmeros pesadelos de uma criança.
Uma voz grita meu nome, tenho que ir a seu encontro.A resposta é automática, tal qual um soldado:-senhor!sim senhor!
Um comando é dado, coisa pequena (tarefa do dia a dia), deve ser executado com precisão e velocidade de uma equipe de formula 1. Mais uma vez eu falho.
Nenhuma falha fica sem punição, eu já esperava por isso, afinal passara meia hora desde sua chegada.
As vezes, penso se realmente passei por isso e sobrevivi, ou se foram apenas inúmeros pesadelos de uma criança.
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